No dia 16/5, dei aqui uma lista dos 20 filmes que Stanley Kubrick dizia serem os seus favoritos, os que mais gostava de rever. Alguns estranharam que ele tivesse incluído um de seus próprios filmes: "Glória Feita de Sangue" (1957). Não vi nada demais nisso —talvez Kubrick o considerasse o filme em que tudo saíra como ele planejara. Além disso, para mim e para muitos, "Glória Feita de Sangue" pode ser o maior filme de guerra já feito.
Leitores opinaram que, se Kubrick tinha de incluir um de seus filmes, deveria ter citado "O Iluminado" (1980) ou "Nascido Para Matar" (1987). Ou "Laranja Mecânica" (1971) ou "Barry Lyndon"(1975). Não me lembro se alguém citou "2001: Uma Odisseia no Espaço" (1968) —espero que sim. Mas a pergunta é: o que os comentários dos leitores revelam? Que muitos deles, talvez mais jovens, só conhecem o Kubrick da última fase, de "2001" para cá.
Talvez nunca tenham visto o intrigante "A Morte Passou por Perto" (1955), sua estreia oficial aos 27 anos, e o já maduro, ousadíssimo "O Grande Golpe" (1956), em que a ação retrocede a todo momento, vista pelo ângulo de cada personagem, como no romance "O Som e a Fúria", de Faulkner. Quem é esse tal de Kubrick? —perguntaram os críticos. Daí que, no filme seguinte, que foi "Glória Feita de Sangue", já estavam de olho nele. E ele ainda os surpreendeu.