Sir Christopher Clark é um dos grandes historiadores em atividade. Seu "Os Sonâmbulos", sobre as causas da Primeira Guerra Mundial, publicado em 2012, já virou clássico. Foi com avidez, portanto, que li "A Scandal in Königsberg", assim que soube da existência do livro.

As duas obras não poderiam ser mais diferentes. Se a primeira trata de um episódio literalmente global, a segunda investiga um caso obscuro que se passou numa área provinciana da Prússia do século 19. Mas Clark consegue extrair lições universais desse escândalo envolvendo religiosos na cidade natal de Kant.

Os protagonistas da obra são Johann Wilhelm Ebel e Georg Heinrich Diestel. Ambos eram pregadores luteranos que atuavam em Königsberg. Eram figuras carismáticas, mas que flertavam com uma religiosidade mais popular, na linha do pietismo. A "intelligentsia" prussiana via esse tipo de movimento com desconfiança. Seus seguidores ganharam o apelido de Muckers, palavra alemã que pode ser traduzida como santarrões.