OVNI no Paraná: como filmagem levantou debate sobre infraestrutura As filmagens de luzes estranhas em Campo Largo, na Grande Curitiba, rendem, desde de 31 de maio, um debate intenso nas redes sociais sobre a aparição, ou não, de um Objeto Voador Não Identificado (OVNI) – mas não para por aí. O tema criou ramificações e parte do público passou a discutir sobre a infraestrutura da zona rural chamada Itambezinho, onde o influenciador Mayk Leão vive e fez o flagrante que se tornou viral. ✅ Siga o g1 Paraná no WhatsApp Para além das luzes, o público de Mayk voltou a atenção à necessidade de desenvolvimento social da comunidade. O acesso ao local é feito, em grande parte, por estrada de terra. Na casa do influenciador não há água encanada, nem esgoto. Parte da região também não tem rede de telefonia – na casa de Mayk, por exemplo, não há sinal de celular, apenas wifi. Na propriedade, ele vive sozinho com quase 300 animais resgatados. Mayk Leão vive em zona rural de Campo Largo, na Grande Curitiba Andrei Cunico/RPC - Reprodução/Arquivo Mayk Leão Desde as filmagens, o influenciador saltou de 40 mil seguidores para dois milhões, virando o hiperfoco de muita gente. Os novos seguidores se sensibilizaram e passaram a exigir melhorias da prefeitura de Campo Largo, do prefeito Maurício Rivabem (PSD) e da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) nas redes sociais. Seguidores de Mayk Leão cobraram prefeitura e prefeito em posts nas redes Reprodução/Instagram Por dias, seguidores lotaram os comentários da prefeitura e do perfil do prefeito. As cobranças foram, principalmente, sobre saneamento básico. A administração municipal chegou a responder algumas pessoas dizendo que a responsabilidade era da Sanepar, o que também rendeu críticas à empresa. Em resposta, perfil da prefeitura terceirizou responsabilidade para Sanepar Reprodução/Instagram Após ganhar popularidade, Mayk usou as redes para falar da falta de desenvolvimento na região, o que também inflamou as críticas feitas ao poder público. Em um dos comentários, um seguidor ironiza: "Lá no interior nada, né?". Outro pontuou que "o pessoal da zona rural também merece boa qualidade de vida". Até a publicação desta reportagem, os comentários da prefeitura estavam fechados, e usuários não podem mais executar este tipo de interação. Em 344 cidades que a Sanepar está presente no Paraná, a companhia diz que há 100% de cobertura de água tratada na zona urbana e 81,44% com coleta de esgoto. Mais sobre o caso: OVNIs no Paraná? Relembre outros casos que levantaram suspeitas Sobrevivencialista faz expedição na região onde avistamento Relato: 'Assustador e bonito' Contraponto: FAB não detectou objetos desconhecidos Mayk Leão, influenciador que acredita ter filmado OVNI em Campo Largo Reprodução/RPC Sanepar diz que só cuida da água na zona urbana O g1 ofereceu uma entrevista sobre o assunto, mas a Sanepar optou por mandar uma nota. A companhia afirmou que os contratos de concessão que têm "abrangem exclusivamente as áreas urbanas" e que, nas zonas rurais, atuam "através do programa Sanepar Rural, onde a companhia fornece estudos técnicos e materiais, e o município implanta os sistemas de abastecimento". A Sanepar também falou que investiu cerca de R$ 270 mil em Itambezinho em conjunto com a prefeitura para implementar mais de 11 mil metros de rede de distribuição para atender cerca de 102 famílias, além de dois reservatórios de 20 mil litros de água e bomba de automatização do poço. Também falaram que sempre mantiveram os comentários fechados na conta do Instagram para direcionar o público para o serviço de atendimento ao cliente. Prefeitura alegou que região não é desabastecida A prefeitura também quis se manifestar por nota e respondeu pelo prefeito, que está em viagem. A administração municipal disse que mais de 100 famílias contam com água encanada na mesma localidade, a partir de uma parceria com a Sanepar que começou em 2019. A prefeitura também disse que a região não é desabastecida de água encanada, mas sim que alguns moradores, por diversos motivos, ainda não tiveram acesso. Além disso, afirmou que não fechou os comentários do perfil da prefeitura e acredita que as "palavras de baixo calão" do público pode ter causado uma restrição temporária. Leia, na íntegra, as duas manifestações: Nota da Sanepar: "A Sanepar informa que sempre manteve os comentários da sua conta do Instagram fechados para direcionar o atendimento ao cliente para os canais oficiais. O Serviço de Atendimento ao Cliente Sanepar é feito pelo telefone (0800 200 0115), pelo WhatsApp (41 99544-0115), pelo aplicativo para celular (Sanepar Mobile) ou site da Sanepar (www.sanepar.com.br). Os nossos contratos de concessão abrangem exclusivamente as áreas urbanas. Nas zonas rurais, atuamos através do Programa Sanepar Rural: uma parceria onde a Sanepar fornece estudos técnicos e materiais, e o município entra com a mão de obra e o manancial para implantação de sistemas de abastecimento em comunidades rurais. Em Itambezinho, região rural de Campo Largo, houve investimento em torno de R$ 270 mil da Sanepar, por meio do Sanepar Rural, e do município para implementação de 11.309 metros de rede de distribuição para atender cerca de 102 famílias, dois reservatórios de 20 mil litros de água e a bomba de automatização do poço." Nota da prefeitura e do prefeito: "A Prefeitura de Campo Largo, por meio desta nota, informa que em nenhum momento fechou os comentários das suas redes sociais e que fez um questionamento formal à plataforma Meta. Supomos que devido a palavras de baixo calão, tanto em comentários quanto no inbox das redes sociais, pode ter ocasionado o fechamento temporário. Em relação ao saneamento básico na região de Itambezinho, deixamos claro que mais de 100 famílias possuem água encanada, na mesma localidade onde houve a cobrança de forma a movimentar a opinião pública. Para o abastecimento na região de Itambezinho, que teve início em 2019, foi necessário uma parceria entre a prefeitura de Campo Largo e a Sanepar, desenvolvido por meio de um projeto social conhecido como Programa Sanepar Rural. Neste projeto implanta-se a rede de abastecimento, quando a topografia e as demais condições do local se apresentam favoráveis. Como divisão de atribuições, a Sanepar contribui com os estudos técnicos, materiais hidráulicos, equipamentos eletromecânicos, treinamento, suporte técnico, ambiental e sócio comunitário e, em contrapartida, o município disponibiliza o manancial de abastecimento, mão de obra e insumos de construção civil. Já a sociedade civil organizada recebe capacitação para o gerenciamento dos equipamentos que ficam na “Casa de Águas" , e isso acontece por meio da composição legal de uma associação de moradores. Lembramos que todo este processo foi realizado em 2019, na região de Itambezinho, ou seja, a região não é desabastecida de água encanada e sim alguns moradores, por diversos motivos, ainda não tiveram acesso. Desta forma, reiteramos que em área rural, o acesso à água acontece por meio de poços artesianos e que precisam de liberação ambiental para serem construídos. Diante a repercussão do caso, a prefeitura de Campo Largo e Sanepar continuam dando suporte à região, onde mais de 100 famílias possuem água encanada. Por se tratar de órgãos públicos, novos projetos necessitam de planejamento específico que deve ser aprovado com um ano de antecedência, cumprindo a LOA (Lei de Orçamento Anual) e LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Por fim, em Campo Largo 88,2% da população recebe água potável por rede geral de distribuição, geralmente vinculada a serviços públicos de abastecimento. A média do estado do Paraná é 89,5% e, do país, 84,1%." Mapa mostra distância entre casa de Mayk Leão e local do avistamento, em outra propriedade g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Paraná.