A Pandora, do mito grego, nunca abriu uma caixa. Ela abriu um pithos, jarro de barro para guardar grãos e vinho. A caixa é obra de Erasmo de Roterdã, que no século 16 verteu a palavra como pyxis, a tal da caixa. De lá para cá ficou valendo a tradução, não o original. É um bom retrato de como, às vezes, a versão que se consagra se afasta daquilo que estava na origem.
Algo parecido ronda o decreto presidencial 12.975/2026, que atualiza o Marco Civil da Internet e aterrissa uma decisão do Supremo Tribunal Federal em pleno voo, já que ainda falta analisar embargos e pedidos de esclarecimento. O governo pode atualizar a regulamentação de leis diante das transformações tecnológicas e jurídicas. O problema não está no decreto existir, mas no que ele contém.