Em abril de 1945, durante o ataque a Montese, batalha estratégica da Campanha da Itália, o segundo-sargento Nestor da Silva, 27, e seu grupo de 16 homens da Força Expedicionária Brasileira fizeram 18 prisioneiros alemães. Sem poder tomar conta de todos, Nestor conduziu os alemães para uma cratera, entregou granadas de mão a dois cabos e ordenou: "Se algum deles quiser subir, aí vocês não tenham complacência, joguem as granadas aí dentro e temos conversado."

Não foi preciso usar as granadas. E naquela madrugada, com Montese praticamente tomada pelas tropas brasileiras, o telefone de manivela tocou no posto avançado: o então general (depois marechal) Mascarenhas de Morais, comandante da FEB, promovera Nestor a segundo-tenente, por bravura.

Como muitos que lutaram contra o fascismo, Nestor da Silva gostava de contar as histórias de soldado, mas não se gabava de seus feitos. Quem via aquele homem, já centenário, sair do apartamento na Asa Sul para ir ao banco, à banca de jornais ou à paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, não imaginava estar diante de um dos últimos heróis da Segunda Guerra Mundial.