
Meta 2034 que Rio das Velhas limpo em 8 anos O Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançou a Meta 2034, iniciativa que pretende recuperar a qualidade da água do Rio das Velhas e devolver condições para a vida aquática em trechos atualmente considerados críticos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A proposta estabelece como objetivo melhorar a qualidade da água ao longo de 90 quilômetros do rio, entre a foz do Rio Itabirito, em Rio Acima, e a foz do Ribeirão da Mata. Os esforços, porém, serão concentrados em um trecho de aproximadamente 30 quilômetros entre o encontro do Rio das Velhas com o Ribeirão Arrudas, em Sabará, e a foz do Ribeirão da Mata. Segundo os idealizadores, a meta é fazer com que áreas atualmente classificadas como Classe 4, categoria associada a corpos d'água com severas restrições de uso, alcancem a Classe 2, condição que permite a existência de peixes e algumas atividades recreativas. Rio das Velhas TV Globo O plano para 2034 A Meta 2034 dá continuidade ao trabalho iniciado pelo Projeto Manuelzão no fim da década de 1970. De acordo com o coordenador e idealizador da iniciativa, Apolo Heringer, avanços já foram alcançados nos últimos anos com a implantação de estações de tratamento de esgoto. "Foi de 60% a melhoria da qualidade da água do Rio das Velhas, confirmada pela volta dos peixes em grande quantidade até o Médio Rio das Velhas", relembrou Heringer. Para Apolo, a recuperação do trecho metropolitano é estratégica para a revitalização de toda a bacia. "Nessa região aí, bem pequena, são 30 quilômetros de meandro do rio, estão concentrados mais de 70% da população de toda a bacia. Está concentrado mais de 70% do PIB e mais de 70% de todo o esgoto e lixo da bacia. Se a gente resolver o problema nessa pequena área hidrográfica, que corresponde a 4% da área de toda a bacia, nós já estaremos salvando o Rio das Velhas", completou. Entre as medidas apontadas para atingir a meta estão a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, além do fortalecimento da infraestrutura existente. "Depende primeiro do tratamento do esgoto e da coleta do esgoto. Tem a ETE Arrudas, que tem que ser turbinada, tem a ETE Onça, que precisa ser turbinada. E tem todos os municípios em volta, que tem contrato com a Copasa, que se somar em um esforço", concluiu o professor. Rio das Velhas percorre mais de 800km até desaguar no São Francisco. TV Globo Um rio histórico O Rio das Velhas possui cerca de 806 quilômetros de extensão. Nasce em Ouro Preto e deságua no Rio São Francisco, na Barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma, no Norte de Minas. Ao longo da história, teve papel importante na ocupação do território mineiro e no ciclo do ouro. Apesar da relevância histórica e ambiental, o rio sofre há décadas com problemas como lançamento de esgoto, ocupação irregular das margens, desmatamento de matas ciliares e impactos da atividade minerária. Em Santa Luzia, um dos municípios cortados pelo Rio das Velhas, a situação é considerada especialmente preocupante. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, Vicente Rodrigues, parte do esgoto gerado na região ainda chega diretamente ao curso d'água. "Santa Luzia é a parte mais baixa do Médio Alto Rio das Velhas. Ou seja, todo o esgoto produzido em cidades como Ouro Preto, Rio Acima, Sabará, Nova Lima, Belo Horizonte e parte de Contagem deságua aqui no Rio das Velhas", afirmou o secretário. Para ele, a recuperação do rio depende da atuação conjunta dos municípios da bacia. "A forma de equacionar o problema de verdade é cada município se preocupar com a sua parte, entendendo que o rio não enxerga fronteiras. Não adianta apenas uma cidade resolver o problema", complementou Rodrigues. O desafio da mineração A Meta 2034 também prevê ações voltadas para a segurança hídrica em áreas de mineração. A preocupação é com a presença de barragens e pilhas de rejeitos localizadas acima dos pontos de captação de água do Rio das Velhas. "Acima da captação do Rio das Velhas, nós temos 55 barragens de mineração e várias pilhas. Se essas estruturas não forem bem monitoradas e não houver fiscalização e manutenção adequadas, podem ocorrer vazamentos ou rompimentos. A maioria dessas estruturas é antiga e precisa estar adaptada para lidar com esse novo momento climático. A primeira medida é fazer uma revisão dessas estruturas", explicou Daniela Campolina, bióloga e integrante da coordenação do Observatório de Barragens de Mineração da UFMG. Morador da região e pescador há décadas no Rio das Velhas, Osvaldo Eduardo da Silva espera que o projeto permita a recuperação da fauna aquática e a reaproximação das pessoas com o rio. "Nos primeiros anos, vamos falar da época do meu pai, até surubim dava neste rio. Já chegaram a pegar surubins de 10 quilos, 15 quilos. Eu quero melhora. Quero que meus netos possam nadar, pescar e usar essa água até para beber", lembrou o morador. Ao defender a nova etapa do projeto, Apolo Heringer resume o objetivo da iniciativa: O Velhas é um mestre que nos ensina a pensar, a ter solidariedade e a querer mudar o mundo para melhor Osvaldo Eduardo da Silva, morador da região e pescador há décadas no Rio das Velhas TV Globo Vídeos mais assistidos do g1 MG